Aos avós


Quando uma amiga publicou este video dizendo: “Sem palavras... Só lágrimas” vi-o e seleccionei para o meu pick of the week, mas depois pensei, que o dia dos avós estava mesmo ai e que a profundidade do vídeo merecia que tiveste um post só seu...



Cada avó e cada avô são uma história, podem não ser aquela ali retratada, mas têm algo em comum…

E há algumas palavras, que dentro de mim soaram mais fortes sob a forma de lembranças, lembranças boas que me trouxeram as lágrimas aos olhos:
[♥] “Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo”
[♥] Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma.
[♥] Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender.
[♥] O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior.
[♥] “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.

Já só tenho perto de mim a minha avó paterna, a quem devia sem dúvida dedicar mais do meu tempo, ando sempre tão a correr que às vezes sem ser por mal não lhe dedico o tempo devido. [* tenho de lá passar à noite, tocar à campainha e ligar para o telefone de casa, porque com o auricular posto para ouvir a novela, não me ouve a mim. Mas sem pensar e apesar de fazer parte da rotina dela, na 6ª feira entrei na igreja ao final do dia, e lá estava ela pronta para receber um beijo]

O meu avó paterno partiu nas vésperas do natal de 2012, não sentia que fossemos próximos, sempre teve um relacionamento difícil com os filhos e depois com os netos… mas no entanto existem memórias, ficam histórias, ficam lembranças, pode não ter sido o melhor do mundo, mas tinha orgulho em dizer que ensinou todos os netos a nadar porque a sua maior paixão era o mar [*herdei dele essa paixão]

A minha avó materna partiu também aos 90, teve uma vida cheia, e com ela vivi muito, aprendi muito, foi a minha grande companheira. As memórias, as boas memórias são imensas... Foi sem dúvida a minha maior perda [* a notícia da sua partida foi dada através da minha amiga de infância e lembro-me que chorei durante 48h sem parar. Ainda hoje não consigo me lembrar dela sem que as lágrimas me encham os olhos].

O meu avô materno faleceu ainda a minha mãe era uma jovem, por isso não tive a oportunidade de o conhecer. Mas ele chegou até mim, pela vida que teve e que se transformou em histórias, que foram sendo recordadas ao longo dos anos [*por tudo o que ouvi ao longo dos anos sinto que em parte o conheci, apesar de nunca lhe ter tocado].

Não há muito mais que se possa dizer senão… “O Mundo é tão bonito… E eu tenho tanta pena de vos perder!”


Apesar de estar com um dia de atraso “Feliz dia dos Avós”!

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