Santiago de Compostela... E já passou um ano!

Foi há precisamente 1 ano que caminhei o primeiro de 115km neste Caminho Português de Santiago.
Como diz a música da Sara Tavares "Eu Sei", inspirada no salmo 139
"Só Deus sabe o que virá
só Deus sabe o que será
não há outro que conhece 
tudo o que acontece em mim"
E só Ele de facto sabia o que este caminho ia ser.

Por isso aqui fica a história da última etapa do caminho, aquela que há um ano atrás guardei para mim e para o J., mas que hoje partilho com a certeza que este Caminho nos fez maiores e que mais dia menos dia volto a por os meus pés neste Caminho.

Dia 5 – Etapa 4: Pontecesures | Santiago de Compostela ~24km

“Naquela que seria a última etapa do caminho acordámos sozinhos no albergue. O grupo de portugueses tinha partido às 4h da manhã. Confesso que não gostei da sensação, na última etapa ali estávamos nós sozinhos no caminho.
Saímos do albergue ainda era de noite e só quando começou a clarear é que alcançamos Padrón.
Neste último dia o caminho não era bonito, voltava a ser muito a subir, o que me consumia muitas energias, e foi talvez por isso que foi para mim a etapa mais introspectiva. O GPS foi todo o caminho na minha mão, e inúmeras vezes o abri ao acaso reflectindo na oração que acabava de recitar. Sentia que precisava de encontrar paz antes de alcançar Santiago [*já te disse mas volto a repetir... desculpa J. por não ter partilhado isto contigo!]
Em Milledoiro o J. sugeriu pararmos, estávamos a aproximadamente 6km do destino final, mas ainda não eram 13h e por isso pedi-lhe para continuarmos, pararíamos se possível 2km mais à frente. Mas quando alcançamos o 1º café depois dessa decisão faltavam apenas 2km para Santiago, e o J. não quis parar, afinal estávamos quase lá. Interiormente eu debatia-me com o chegar a Santiago em estado de exaustão ou parar e fazê-lo a sentir-me renovada, mas lá no fundo o que eu queria era chegar.
Foram os 2km mais duros dos 115, estava a entrar num estado de impaciência, as dores começavam a sentir-se, o meu psicológico sentia que estava perto e o meu corpo estava a dar o tudo por tudo.
Quando vi a catedral de Santiago de Compostela, não sabia se havia de rir ou de chorar, dentro de mim uma voz gritava "conseguiste". Caímos no chão, sentámos-mos de frente para a catedral, a lágrima caiu, o coração apertou-se "Sim consegui, sim conseguimos" [*é impossível traduzir em palavras o que se sente num momento destes].”


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