The Revenant [ou se gosta... ou não se gosta]

The Revenant: O renascido

Este é sem dúvida um filme que dividirá o seu público acima de tudo pelo que transmite e pela forma como nos faz sentir.

Em traços gerais, o filme é baseado em factos verídicos, conta a história de uma expedição pelo desconhecido e selvagem território americano, por volta de 1820, onde o explorador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é atacado por um urso e deixado para morrer pelos seus companheiros. No entanto Glass sobrevive e parte para dentro do
território selvagem durante o inverno à procura de vingança contra John Fitzgerald (Tom Hardy) que matou o seu filho.

Para mim o truque para se entender o filme está na forma como cada um interpreta esta sede de vingança e se vai à espera de muita acção, ressalvo já que a primeira hora é a mais mexida e que depois tudo se torna mais lento.

Quanto à personagem Hugh Glass interpretada por Leonardo DiCaprio há quem não sinta conexão com o personagem e que acha que ele passa o filme todo no chão a arrastar-se, o que tem algum fundo de verdade, mas há quem consiga sentir uma ligação na intensidade do sofrimento da personagem que para se vingar precisa primeiro de sobreviver.

Leonardo Dicaprio não se mostra num papel a que estamos habituados a ver, mas a sua intensidade, a sua expressão, o seu sofrimento estampado nos olhos dizem muito mais do que qualquer palavra ou diálogo poderia transmitir, e por isso o facto de o filme ser parco em palavras a mim especialmente não me afectou, pois o desempenho foi notável.


Para contrastar com Leonardo DiCaprio é preciso também destacar a excelente interpretação de Tom Hardy, que prima pela forma como interpreta um homem ausente de sentimentos, que não se arrepende e que apesar de tudo é movido pelo dinheiro por não ter mais nada a perder.


Mas não sendo o filme do agrado de todos, tenho a certeza que em uma coisa todos concordaremos, a excelência da fotografia.
O filme foi rodado entre o Canadá, Argentina e Estados Unidos, e foi maioritariamente utilizada luz natural o que fez com que o nr. de horas disponíveis para as filmagens fosse curto e aumentasse o tempo de rodagem. Tal facto teve ainda consequências para a equipa que foi obrigada a suportar temperaturas negativas mas o resultado final está à vista e é soberbo.

Alejandro Iñárritu consegue sem dúvida com este argumento, com estes actores e com esta fotografia, transportar-nos para um patamar que raramente vemos ou damos destaque em cinema.

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