O Carnaval não merece tolerância (merece feriado)

Hoje foi daqueles dias difíceis, hoje foi daqueles dias em que mais vejo as diferenças do meu país, pois hoje foi dia de tolerância de pontos para uns, outros têm este dia consagrado no seu acordo colectivo de trabalho e outros trabalham porque este é só mais um dia de calendário.

Talvez para mim seja o dia de calendário que mais me custa cumprir, pois vivo o carnaval desde que me lembro que sou gente.
Para mim o carnaval começava a logo a seguir à passagem de ano, quando não era antes do natal, os fatos eram pensados, discutidos, desenhados. Passei manhãs e tardes entre o Vidal tecidos, a Pollux e a loja do carnaval na baixa, ia destemidamente a um Martim Moniz comprar as bijuterias e os adereços que eram precisos, e mascarava-me, sexta, sábado, domingo, segunda e terça. Fui Baiana, fui Vitinho, fui Sailor Moon, fui Super Mulher e Olivia Palito, fui Forcado e Vendedora de Bolas de Berlim, fui Mulher das Cavernas e fui Primavera, fui Jessica Rabbit e Máquina de Caramelos, fui cowboy e pirata, fui tantas e tantas máscaras ao longo dos anos, que há quem me chame de profissional do carnaval, porque lá em casa não falta nada!

Quando comecei a trabalhar os dias de folia foram sendo diminuídos, não era possível conciliar 5 dias de festa, mas mantivemos religiosamente a noite de sábado com fatos mais simples, mais descomplicados mas sempre originais. Enquanto tive a tolerância de ponto não faltei à noite dos palhaços em Sesimbra, porque ao fim de mais de 30 anos e com muitos fatos de carnaval na bagagem, eu gosto mesmo é de me mascarar de palhaço. Este ano mais uma vez não tive tolerância de ponto, mas este ano tive mais força de vontade e sai na folia, matei as saudades do meu fato de palhaço, andei na rua, dancei marchinhas, não virei a madrugada, mas fui feliz... porque a vida são dois dias e o Carnaval são 3!



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