Quarto: Duro mas imperdível

Finalmente vi o "Quarto" um dos nomeados para melhor filme nos Óscares e depois de o ver, posso confirmar que, nem sempre são precisas grandes produções como as do "Revenant" (cuja fotografia me apaixonou por completo) para se conseguir alcançar o sucesso.

A curiosidade para ver este filme era muita pois já tinham partilhado comigo que apesar de muito duro, era um filme que não podia deixar passar e não se podia mesmo.

Em resumo o filme conta a história de Jack e da sua mãe, Ma, que é mantida em cativeiro durante 7 anos, num quarto sem janelas onde existe apenas uma clarabóia. Jack, o seu filho, nascido já em cativeiro, acredita assim que o mundo se resume apenas a ele, à sua mãe e ao velho Nick que as vezes os visita durante a noite e é a sua única ligação ao mundo exterior juntamente com uma televisão. Assim, tudo o que existe fora do quarto é considerado fantasia. Mas ao fazer cinco anos, a sua curiosidade sobre o Mundo começa a aumentar e assim a sua mãe é obrigada a contar-lhe toda a verdade e em conjunto elaboram um plano para conseguirem escapar do Quarto.

Este é um filme que mexe com os nossos sentimentos, foi impossível conter as lágrimas durante quase 2 horas, pois faz-nos sentir impotentes e perceber que mais uma vez é o amor por um filho que nos faz sobreviver. É difícil acreditar que existem monstros como o "old Nick", mas eles existem, é difícil acreditar que a inocência pode ser roubada desta forma, é difícil acreditar como é que se consegue sobreviver a tudo isto, e acima de tudo este filme não nos traz apenas o final feliz de quando conseguem libertar-se para o mundo real, este filme traz-nos a realidade de quem sobrevive ao cativeiro, mas que tem depois que lidar com um mundo de uma forma que nunca imaginou.

As interpretações são fabulosas. A forma exemplar como Brie Larson interpreta "Ma/ Joy", fazendo-nos pôr constantemente na pele da personagem e sentir com ela o mesmo aperto no coração é sublime, a entrega do Óscar de Melhor Actriz foi mais do que merecida. Já de "Jack" interpretado por Jacob Tremblay, só posso perguntar como é possível uma criança alcançar um grau de interpretação tão elevado, no olhar, nas expressões que cria, nos sentimentos que consegue tão bem interpretar e transmitir e que vão muito além da idade e de qualquer experiência de vida, que certamente ainda não terá, por isso acredito que ali está um talento.

Se ainda não viram recomendo, mas preparem-se, não é um filme fácil, vão acabar por sentir o mesmo que os personagens e revoltar-se várias vezes com este outro lado de um Mundo real.


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