Mário Soares um político assume-se


Este livro faz parte da biblioteca da minha mãe e já há alguns anos que o queria ler mas confesso que me faltava a motivação, pois nunca fui muito de ler biografias, no entanto, a morte de Mário Soares foi o impulso que me faltava para pegar no livro e começar a lê-lo.

O livro, uma espécie de autobiografia, escrita de forma quase informal, é ao mesmo tempo um relato histórico de factos e personalidades que marcaram o período pré e pós 25 de abril, tanto em Portugal, como na Europa e até mesmo no Mundo até ao ano de 2012. Para quem procura, como eu procurava, uma lição de História, este livro ajuda a cumprir com esse objectivo, sob o ponto de vista de alguém que claramente ao longo dos tempos foi um patriota que lutou sempre pela liberdade, democracia, e pelo lugar de Portugal na Europa e no Mundo.

Escolhi este excerto do livro, pois permite saber qual a dimensão histórica do relato que é feito ao longo de 500 páginas, e entender porque é que Mário Soares foi um lutador:
"Tendo eu vivido, com plena consciência política e social, os grandes conflitos do século xx, a guerra civil de Espanha (1936-1939), uma cruenta ditadura em Portugal que durou 48 longos anos e a Segunda Guerra Mundial  (1939-1945), a aurora do pós-guerra e, depois, as bombas atómicas, lançadas sobre o Japão, a Guerra Fria, o conflito entre as duas Coreias, a vitória de Mao TseTung e do comunismo chinês e, a seguir, o colapso do comunismo na URSS e nas chamadas "democracias populares", estou agora a viver - quem me diria? - a decadência da ideologia neoliberal, que está a arrastar o Ocidente  (Estados Unidos e a União Europeia) para um declínio que parece irreversível.
Há que resistir, obviamente, ao que seria uma catástrofe irreparável e um evidente recuo civilizacional. Por mim fá-lo-ei, pela palavra e pela escrita, as únicas armas de que disponho..." (p. 486)

Eu que tive uma infância um pouco militante e que estive presente em comícios e caravanas políticas, não posso ao terminar de ler este livro de sentir "vergonha" do estado a que a política hoje chegou, e da forma como me vou desligando [erradamente] dos temas que são relevantes para o País por ter deixado de acreditar nas instituições políticas e partidárias. Hoje acredito que não há políticos como Mário Soares e outras personalidades do seu tempo, que defendiam acima de tudo a liberdade e lutavam pelo crescimento democrático do seu país.


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