Uma lição: Amar pelos dois


“Vivemos num mundo de música descartável, de música fast food sem qualquer conteúdo. Música não é fogo de artifício, são sentimentos. Vamos tentar mudar isto e trazer a música de volta, que é o que realmente importa.”
-Salvador Sobral-

Em Março escrevi, aqui, que o"festival da canção quer-se alegre, bem disposto e com uma canção que fique na memória como a coisa mais irritante do mundo, para que mesmo que a tentemos eliminar ela continua ali a surgir no nosso cérebro.", nenhuma das músicas me tinha convencido sobre ser uma séria candidata, e talvez por isso, ou por completa negação, não ouvi mais com atenção a música de Salvador Sobral, mas em vésperas de festival não aguentei e ouvi, e ali estava a música que não sendo alegre ficava na memória mas por ser a coisa mais bonita do mundo. Em Março enganei-me redondamente, e é tão bom admitir quando nos enganamos assim.

Salvador Sobral deu novo folêgo e novo significado ao Festival da Canção que quase tinha desaparecido do nosso imaginário, e acima deu-nos uma lição enorme de simplicidade e humildade, pois soube ser fiel a um estilo, o seu, e não se moldou ao mundo de um espectáculo em que apesar de participante não representava o seu Eu. Salvador foi genuíno, na música e nos sentimentos, foi talento único em cima do palco. E foi cantando em português que chegou ao mundo pois toda a sua actuação foi Amor e essa dizem que é a linguagem universal. No dia 13 venceu Portugal, mas venceu a acima de tudo a música simples e sem artifícios, interpretada por aquele que não tem medo de ser diferente e que por isso acredita que de tudo é capaz!

Obrigada Salvador Sobral pela tua forma única de interpretar.
Obrigada Luísa Sobral pelo sentimento que colocaste nesta letra.
Obrigada Luis Figueiredo pelo arranjo a lembrar os filmes da Disney.


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