À noite na cidade


É a terceira vez que participo nesta actividade, é a terceira vez que tenho o privilegio imenso de estar num espaço icónico da cidade que é fechado para este grupo, é a terceira vez que tenho a oportunidade de ouvir a cidade no silêncio que é pedido. Nesta oportunidade única, tens o privilégio de ouvir aquilo a que nunca prestas atenção: ouves a passada forte de quem passa por ti a correr, ouves o rio vir em direcção à pedra e dás-te conta do som que faz quando bate, ouves o motor do avião que segue lá no alto, ouves o rugido dos carros que passam no tabuleiro da ponte, ouves uma música a que toca junto de ti, mas distingues também a do festival um pouco mais longe, ouves o silêncio e escutas com atenção, o vazio do silêncio que se enche de vida dentro de ti.

E quando estás nesse silêncio, quando tomas consciência de ti e do que te rodeia, agradeces o tempo e o lugar que como um privilégio te foram dados, agradeces mais uma vez a oportunidade de ter para ti um lugar especial, agradeces a oportunidade de parar e de fazer do silêncio um lugar de encontro maior.

Raramente na vida paramos [por nós], para apreciar o que acontece à nossa volta e raramente na azáfama dos dias, nos damos ao luxo de esvaziar a mente e em silêncio escutar o mundo. Podia prometer que vou contrariar a maré, mas vou fixar-me apenas na promessa de que vou tentar criar estes momentos, só meus, entre o mundo e o silêncio!

Por curiosidade:
Na primeira vez que fiz esta actividade começamos na ribeira das Naus, atravessamos Lisboa a pé e terminamos no Castelo que foi aberto nessa noite de propósito para o momento (contei a experiência aqui)
Da segunda vez, tivemos por nossa conta o Estádio Nacional.
Este ano, foi a Fundação EDP, que nos acolheu no MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia.




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