Uma descoberta muito completa


Muitas vezes à hora de almoço vou até uma livraria e perco-me entre as novidades e os títulos que conheço. Mas principalmente aproveito este momento para folhear ao acaso livros que me chamam à atenção. Esta semana demorei-me no livro "Todos os meus futuros são contigo" de Marwan, um autor que me é completamente desconhecido e que pelos vistos também é músico.

Abri uma página ao calha(s) e deparei-me com este texto "poderoso", que de forma curiosa começa por:
"(Texto para ser lido enquanto se escuta a canção Um dia Destes, de Marwan)" [Definitivamente não há coincidências, até na forma de começar]

Viu-se forçado a esvaziar-se em cada encontro,a dar tudo para ver os olhos dela acederem-se na sua presença. Fazia-o por medo. Medo dos dois. O medo dela era de se entregar. O medo dele era de que não se entregasse. Por isso ele acabava por dar tudo, tudo o que lhe tocava a ele entregar e também o que lhe cabia a ela. Esvaziava-se para desfazer os seus temores, dava-lhe tudo para que não houvesse nenhuma dúvida sobre se era ou não merecedor do seu amor. Mas o amor não se merece. Aparece ou não aparece. E, se aparece como apareceu neste caso, é preciso pular logo os muros do medo, do medo que ela sentia, que era um medo gigante. Porque antes dele houve outros nomes, homens que deixaram a sua alma como uma aldeia saqueada, desilusões em forma de pessoa, demasiadas noites sem dormir, demasiados dias sem abraços. Ainda lhe doíam os pés de pisar promessas quebradas que lhe fizeram noutras camas, e assim é díficil entregares-te, mesmo quando o amor te bate no ventre com o seu olhar bondoso. E não se sabe se há solução. Depende dela, do tempo que leve a dar-se conta de que nem todos os homens passam cheques sem cobertura. E depende dele - não convém esquecê-lo-, do tempo que queira arriscar na tentativa, do tempo que considere suficiente para se render."

O livro qualquer dia vem parar cá a casa e a música, essa, já toca no meu Spotify!


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