The Post: jornalismo sério e competente

Na semana em que foram apresentados os candidatos aos Óscares, pareceu-me bem alterar os planos e fazer um pequeno desvio até ao cinema para ver o “The Post”.
O filme relata a história verídica de como o Washington Post publicou os Pentagon Papers, um estudo ultra-secreto sobre envolvimento político e militar dos Estados Unidos da América na guerra do Vietname, após o The New York Times que fez as primeiras publicações ter sido impedido pela administração do Presidente Nixon de continuar a publicar, alegadamente por questões de segurança nacional.

O filme realizado por Steven Spierlberg, conta com duas grandes estrelas, Meryl Streep e Tom Hanks, a primeira interpreta Katharine Graham, a proprietária do Washinton Post, responsável por tomar as grandes decisões que punham em causa o futuro e a viabilidade do jornal, o segundo, interpreta Ben Bradlee, o director da redacção que na posse do estudo não desiste de publicar a história, defendendo a liberdade de impressa e de expressão prevista na Primeira Emenda da Constituição Americana. As interpretações de ambos são sérias, com a intensidade que o filme quer, e mesmo sabendo o desfecho conseguem conduzir-nos através da história.
Este filme mostra-nos o jornalismo à época, num lugar que já quase não existe na nossa memória, máquinas de escrever, telefones com fios, a impressão do jornal que faz abanar uma mesa, mas acima de tudo o filme traz-nos o jornalismo na sua essência e verdadeiro papel, através de jornalista apaixonados para quem a publicação de notícias resulta de um trabalho sério de investigação que tem como missão informar sem limitar. O filme ganha também destaque no contraste com os dias de hoje, onde vivemos num mundo em que o jornalismo anda pela hora da morte, onde a investigação séria e profunda raramente é feita, e onde não é cumprido o propósito para o qual os media foram criados: informar com rigor. Fico a pensar que às vezes seria melhor voltar atrás no tempo, para aquele tempo em que nada estava a distância de um clique, em que jornalistas eram os de profissão e não tínhamos de filtrar por nós as fake news que todos os dias assolam este mundo fora. E nem que seja só para voltar a acreditar no jornalismo apaixonado, sério e competente, o filme já vale a pena.

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