O Deus da Carnificina


Diogo Infante está de volta a direcção artística de um teatro, desta vez no Teatro da Trindade, onde está em exibição até dia 29 de abril: O Deus da Carnificina.
Nesta história dois casais, cujo filho de um agrediu o filho de outro, encontram-se para de forma civilizada resolverem a situação criadas pelos filhos de 11 anos. No entanto, com o avançar do tempo a máscara do politicamente correcto cai e fica à vista natureza humana, na sua vertente mais autêntica e animalesca, focada no instinto de sobrevivência de cada um face ao querer manter a sua posição e querer defender-se da realidade que se vai impondo. Aquilo que vemos ao longo da peça, é que os comportamentos das crianças que começam por ser criticados são aqueles que os adultos acabam por tomar para si, levando-nos a pensar no nível de hipocrisia em que vivemos todos os dias e nas muitas máscaras que usamos para viver, tal como no livro Nua e Crua que já partilhei aqui.
A peça irrepreensivelmente dirigida, conta com:
♥ Patrícia Tavares, no papel de Verónica, mãe de Duarte, numa interpretação do mais expressiva que existe;
♥ Rita Salema como Bernardete, mãe de Bernardo, numa interpretação exemplar de dois mundos: o politicamente correcto e o selvagem;
♥ Jorge Mourato, Miguel e pai de Duarte, com uma interpretação autêntica e descomplicada, a lembrar pessoas normais que encontramos todos os dias;
♥ Diogo Infante, o advogado Alberto, pai de Bernardo, para mim num papel com menos destaque que os anteriores, mas interpretado na perfeição por aquele que considero ser um dos melhores actores de teatro do nosso país.
Se puderes não deixes de ver a peça, pode parecer pelo enredo que se trata de um drama, mas estamos perante uma comédia onde reina, o sarcasmo e a ironia e por isso prepara-te para que te sejam arrancadas umas boas gargalhadas.
Caso não possas ir ao teatro existe também o filme, Carnage, de Roman Polanski, não o vi, mas asseguram que é, também, muito muito bom.

Por isso hoje, dia Mundial do Teatro, a sugestão não podia ser outra que não: vão ao teatro!




Sem comentários