7 meses e 14 dias depois: Pearl Jam

Acordei naquela manhã de 1 de dezembro com a notícia, peguei no telefone e liguei-te, saímos, o tempo convidava ao passeio, percorremos as ruas do Chiado, almoçamos no Frutaria que tinha acabado de abrir, e lentamente subimos a Rua Garrett para enfrentar uma fila na FNAC, não podia ser online, tinha de o ter na mão naquele momento, e assim foi, meia hora de depois, nessa tarde às 18h acendiam as luzes de natal na baixa de Lisboa e o meu presente já o tinha, o passe do NOS Alive e a oportunidade de voltar a ver Pearl Jam.
Foram 7 meses e 14 dias de espera, dois dias de festival a toque de caixa de uma timeline louca, entre o conhecido e o desconhecido, mas aquele terceiro dia tinha só uma história para contar: Pearl Jam!
No meio da multidão, firme e convicta do lugar que estrategicamente arranjei para o meu metro e meio de gente, esperei o momento em que subiram ao palco, em que Eddie Vedder agarra o microfone e o primeiro som de 'Low Light' faz-se ouvir, vibrei, começou, mas o primeiro disparar do coração faz-se à segunda música quando começo a ouvir os inconfundíveis acordes de Better Man, como alguém me disse “essa música faz me correr na cabeça toda a minha vida em looping durante três minutos, sem saber porque, é completamente inevitável emocionar me!”, (desculpa usar as tuas palavras, mas são as que melhor descrevem o momento), é um turbilhão de emoções, tantas memórias, tantos momentos vividos ao som daqueles três minutos, e sim, desejei que ali ao meu lado estivessem algumas das pessoas importantes da minha vida, algumas sei que estavam ali, também perto, outras mais longe, mas todas na minha memória! E o concerto prossegue a um ritmo alucinante, não dou pelas horas, não dou pelo tempo, deixo-me surpreender pelo alinhamento e lá está outra vez o coração a disparar com a 'Black', mais uns minutos de loop e de memórias a percorrer a minha mente como flashes, e um coro que se deixa ir: 'Why can't it be mine', e a certeza de que será sempre um momento meu independentemente dos milhares que ali estão comigo, e o concerto continua a desenhar-se, discurso de intervenção e um público a fazer-se ouvir com 'Imagine', é intemporal esta música e a mensagem continua a sentir-se forte no cantar de cada um. E se a noite podia ficar por aqui, podia, mas os Pearl Jam não deixaram, um pequeno tributo a Jack White que assistia ao concerto em palco e a participação do mesmo num tributo a Neil Young com 'Rockin' in the Free World'. Só os grandes são capazes de dividir o palco desta forma e proporcionar momentos únicos como estes.
2 horas e toca 'Alive', quase que uma homenagem ao festival que os trouxe de volta e um reminder para o público que ali continuava vivo, a pular e a cantar, depois sim o fim de um concerto que não queria que acabasse e o início das saudades, não os via desde 2006 no Atlântico, e questionei-me porque raio falhei 2010, mas já foi, agora estava ali e tinha sido, para mim, mais um concerto de uma vida.
Esqueçam se não ouviram todos os clássicos, Pearl Jam tem uma carreira gigante e será impossível por em palco toda a discografia, e a verdade é que as minhas musicas de eleição , certamente não serão as de que tem está a meu lado mas está tudo bem, porque o que vi à minha volta foi que todos cantamos, saltamos, vibramos, todos queríamos mais e todos sentimos que por mais que nos dessem seria sempre pouco.
Obrigada espero por vocês numa próxima vez!



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