Nem Todas as Baleias Voam | Afonso Cruz


Não sei se os clube de leitura estão a nascer como cogumelos em 2019 ou se fui eu que passei a estar mais atenta ao tema, como quando estamos indecisos sobre que carro comprar, e de repente só vemos aquele carro.
E foi no embalo do clube de leitura, Um Livro Debaixo da Asa, da Às Cavalitas do Vento, que decidi, ainda no mês de janeiro, ler um livro com um animal no nome. É verdade que já tinha lido "Mataram a Cotovia", mas o intuito foi outro e não tinha intenção de fazer um 2 por 1. Assim, no regresso à Biblioteca Municipal, os olhos pararam em “Nem Todas as Baleias Voam” de Afonso Cruz e foi esse que veio comigo.
Nunca tinha lido nada do Afonso Cruz, mas tinha curiosidade, os títulos dos livros são sempre sugestivos e fora de vulgar e muitos o tem como escritor favorito, por isso esta era uma oportunidade perfeita.

"Nem todas as baleias voam", apresenta o programa da CIA Jazz Ambassadors como o centro da trama, mas a medida que li era como se isso estivesse em segundo plano. Assim, a história centra-se em Erik Gould, um pianista para quem a música é uma doença que não consegue arrancar do corpo, e cuja maior obsessão é a mulher que desapareceu sem deixar rasto. Existe Tristan, o filho, cujo peso da solidão e abandono, o faz questionar a vida e viver de braço dado com a morte.E pelo meio outros personagens e histórias que cruzam com as dos protagonistas.

"- O Tristan continua a ver coisas, pessoas?
- Sim - respondeu Gould.
- Nunca percebi bem. Compreendo o eu caso, uma sinestesia, uma confusão dos sentidos, vês sons além de os ouvi, lado Tristan vê pessoas.
- Ele vê sentimentos. Aparecem como pessoas porque às vezes não temores maneira de os representar mentalmente.
- A cabeça é um estranho palco, as coisas que aparecem em cena."

Confesso que não me fascinou, não é o meu tipo de prosa e até mais de metade do livro não senti que a história me prendesse, era tudo demasiado denso, pesado, uma confusão de sentidos e pensamentos filosóficos sobre a vida, mas há um momento em que alguns triggers são accionados e muita coisa que ainda não tinha pensado acontece. Prendi-me nesse momento à história, mas não o suficiente para puder dizer que é um grande livro.

Gostava de dar outra oportunidade a Afonso Cruz, tal como dei a Gabriel García Marquez com o "Amor em tempos de Cólera", depois de ler os "Cem Anos de Solidão".
Aceitam-se sugestões para nova tentativa!


Nem Todas as Baleias Voam | Afonso Cruz | Companhia das Letras (2016)
Encontra na Wook: aqui


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