Sobre desistir... Os Transparentes | Ondjaki


Há sempre uma mistura de sentimentos quando pensamos em desistir de algo, a dualidade entre, eu sou “forte” o suficiente para levar isto até ao fim mesmo não me dando prazer, e eu sou “forte” o suficiente para não deixar prolongar aquilo que não me dá prazer. E na escolha entres estes dois caminhos, eu era sem sombra de dúvida, a primeira pessoa, aquela que se orgulhava de dizer que nunca desiste, mas a quem vida ensinou que é demasiado curta para perder tempo com aquilo que não vale a pena, e isto passou a ser válido em qualquer área da minha vida, em qualquer coisa que possa estar a fazer.

Por isso, dantes eu nunca desistia de um livro, mesmo que a história não me agarrasse e o passar das páginas fosse um sacrifício tremendo, eu mantinha-me firme até ao final, nem que a conclusão fosse... eu devia ter desistido logo quando percebi que não dava mais.

No mês de fevereiro, depois de ter lido:
♥ Harry Potter e a Câmara dos Segredos | J. K. Rowling

Lá fui à Biblioteca Municipal, procurei um autor que nunca tivesse lido e que tivesse curiosidade de conhecer, e foi assim que escolhi o Ondjaki, e o seu livro Os Transparentes.
Comecei a ler o livro e nunca senti que a história me estivesse a agarrar, demasiadas personagens, diferentes relações entre si, um prédio como lugar comum e uma aura de misticismo misturada com a realidade de uma cidade angolana, chamada Luanda. Uma prosa interessante, mas um tipo de linguagem que não me apaixona e por isso dei por mim a desistir, aos poucos, da minha vontade de ler diariamente, porque aquilo que me esperava, naquele momento tão meu, não me estava a dar prazer. Ainda li quase 200 páginas, agarrada à esperança de que em algum momento eu ia ficar ali presa, sem vontade de largar o livro. Não aconteceu. E naquela dualidade entre o demorar-me onde não quero e o deixar ir, escolhi desistir.
Assim que arrumei o livro, abri espaço para outras histórias e a vontade de ler como se não houvesse amanhã regressou.
Desistir não é mau, difícil é saber fazê-lo no momento certo, mas seja como for... está tudo bem!


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